Valorizar o FSMM 2016 faz parte da estratégia da CUT

Valorizar o FSMM 2016 faz parte da estratégia da CUT

Escrito por: Antônio Lisboa Secretário Executivo de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores Publicado em: 01/07/2016 • Última modificação: 01/07/2016 - 12:50 Publicado em: 01/07/2016 Última modificação: 01/07/2016 - 12:50

“A Central Única dos Trabalhadores (CUT) tem uma forte atuação histórica no Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), mas nesse ano queremos que nossa participação seja muito mais efetiva, apesar da atual conjuntura brasileira”.  Assim é como Antônio Lisboa, Secretário Executivo de Relações Internacionais da CUT, fala da inclusão da maior central sindical brasileira no FSMM 2016.

Em conversa com o Conexión Migrante, Antônio Lisboa ressalta o papel do FSMM como contraponto à atual situação política do Brasil e do mundo. “Se em algum momento o FSMM teve uma importância menor na luta política das esquerdas e dos movimentos sociais, com essa retomada do conservadorismo e da direita, o evento volta a ter um papel protagonista. Por isso, valorizar o FSMM é parte da estratégia da CUT”.

Lisboa explica que a raiz da atual crise mundial está nas cadeias globais de produção. “Toda a estrutura sindical mundial tem que atuar contra isso. Os trabalhadores são vítimas desse processo de produção do capital, especialmente os migrantes” e “como as empresas não tem nenhuma responsabilidade sobre a cadeia de produção, [elas] não conhecem a situação laboral na qual seus funcionários se encontram”, afirma.

Dentro da CUT existe uma conscientização sobre os principais problemas do trabalhador migrante: a busca pelo trabalho digno e o fomento ao empreendedorismo. “As confederações da CUT, junto com o FSMM, o Poder Público e as organizações e lideranças de migrantes têm de unir forças para lutar contra o atual sistema de produção do capital, que desrespeita os trabalhadores, e para acabar com o trabalho escravo e fomentar o empreendedorismo”.

Mudança na lei

Um dos objetivos da CUT é “se aproximar dos trabalhadores migrantes para que eles se sintam protagonistas e possam ser membros ativos e dirigentes do sindicato”.  Segundo Antônio Lisboa, existe um caminho a ser seguido para integrar os migrantes na Central.  “É necessário mostrar aos trabalhadores brasileiros que os migrantes não são uma ameaça ou que irão tirar seus postos de trabalho. Os brasileiros têm que acolher os trabalhadores migrantes dentro da estrutura sindical”, analisa.

Porém, a luta por essa integração não se limita ao sindicato. “A CUT trabalha pela mudança na legislação brasileira sobre migrações. Nossa lei atual foi elaborada na época da ditadura militar e não leva em conta os Direitos Humanos”. Por outro lado, Lisboa reconhece que a tarefa não será fácil. “Nós temos um Congresso mais conservador do que na época da ditadura militar, isso dificulta”.

 

Legado do Fórum

Diante desse cenário, Lisboa ressalta que o FSMM ganha relevância como espaço independente de debate. “A CUT pretende deixar três legados no FSMM: organizar os trabalhadores migrantes; mostrar que a atuação deles é importante para o crescimento da CUT; e, por último, ressaltar a importância da articulação entre a CUT, o FSMM, o Poder Público e os trabalhadores migrantes para que possam ter condição de se organizar como eles quiserem”.

 




BOLETIM CDHIC

Cadastre-se e receba periodicamente
nossos boletins informativos.